António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

32 Poemas

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Carta ao Mar (1)

Deixa escrever-te, verde mar antigo,/ Largo Oceano, velho deus limoso,/ Coração sempre lyrico, choroso,/ E terno visionario, meu amigo!/ / Das bandas do poente lamentoso/ Quando o vermelho sol vae te...

Tristissima (2)

N'um paiz longe, secreto,/ Lendaria ilha affastada,/ Jaz todo o dia sentada/ N'um throno de marmor preto./ / No seu palacio esculpido/ Não entram constellações;/ Os tectos dos seus sallões/ São todos...

O Selvagem (3)

Eu não amo ninguem. Tambem no mundo/ Ninguem por mim o peito bater sente,/ Ninguem entende meu sofrer profundo,/ E rio quando chora a demais gente./ / Vivo alheio de todos e de tudo,/ Mais callado qu...

A Visita (4)

Hontem dormia à noute - e, eis que desperto/ Sacudido d'um vento agudo e forte,/ Como um homem tocado pela Morte,/ Ou varrido d'um vento do deserto./ / Accordei - era Deus, que de mim perto,/ Me dizi...

Miseria Occulta (5)

Bate nos vidros a aurora,/ Vem depois a noute escura;/ E o pobre astro que ali móra,/ Não abandona a costura!/ / Para uns a vida é d'abrolhos!/ Para outros mouta de lyrios!/ Bem o revelam seus olhos,...

Aos Vencedores (6)

Visto que tudo passa e as épicas memorias/ Dos fortes, dos heroes, se vão cada vez mais,/ Que tudo é luto e pó! ó vós que triumphaes/ Não turbeis a razão nos vinhos das vãas glorias!/ / Não ergais al...

A Senhora de Brabante (7)

Tem um leque de plumas gloriosas,/ na sua mão macia e cintilante,/ de anéis de pedras finas preciosas/ a Senhora Duquesa de Brabante./ / Numa cadeira de espaldar dourado,/ Escuta os galanteios dos ba...

Mysticismo Humano (8)

A alma é como a noute escura, immensa e azul,/ Tem o vago, o sinistro, e os canticos do sul,/ Como os cantos d'amor serenos das ceifeiras/ Que cantam ao luar, á noute pelas eiras.../ Ás vezes vem a n...

As Aldeias (9)

Eu gosto das aldeias socegadas,/ Com seu aspecto calmo e pastoril,/ Erguidas nas collinas azuladas -/ Mais frescas que as manhãs finas d'Abril./ / Levanta a alma ás cousas visionarias/ A doce paz das...

O Mundo Velho (10)

Nas crises d'este tempo desgraçado,/ Quando nos pomos tristes a espalhar/ Os olhos pela historia do passado.../ Quem não verá, contente ou consternado,/ - Mundo velho que estás a desabar - ?!.../ / S...

Acusação à Cruz (11)

Ha muito, ó lenho triste e consagrado!/ Desfeita podridão, velho madeiro!/ Que tens avassalado o mundo inteiro,/ Como um pendão de luto levantado./ / Se o que foi nos teus braços cravejado/ Foi realm...

Os Brilhantes (12)

Não ha mulher mais pallida e mais fria,/ E o seu olhar azul vago e sereno/ Faz como o effeito d'um luar ameno/ Na sua tez que é morbida e macia./ / Como Levana ... esta mulher sombria/ Traz a Morte c...

A Ultima Serenada do Diabo (13)

No tempo em que elle, nas lendas,/ Era amante e cortezão,/ Jogava, e tinha contendas,/ Cantava assim em Milão:/ / ........................................../ ............................................

A Joven Miss (14)

Ella é tão loura, lyrica, franzina,/ Tão mimosa, quieta, e virginal,/ Como uma bella virgem d'um missal/ Toda dourada, e preciosa e fina!/ / Não ha graça mais casta e femenina/ Do que a d'ella! Seu r...

Lisboa (15)

De certo, capital alguma n'este mundo/ Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,/ Mais collinas azues, rio d'aguas mais mansas,/ Mais tristes procissões, mais pallidas creanças,/ Mais graves cat...

Noutes de Chuva (16)

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!/ Se tu amas no Outomno - já sem rosas! -/ A longa e lenta chuva nas vidraças,/ E as noutes glaciaes e pluviosas!/ / N'essas noutes sem luz, que - visionarios-/...

Cantiga do Campo (17)

Por que andas tu mal commigo?/ Ó minha doce trigueira?/ Quem me dera ser o trigo/ Que, andando, pisas na eira!/ / Quando entre as mais raparigas/ Vaes cantando entre as searas,/ Eu choro ao ouvir-te ...

Carta às Estrellas (18)

Ninguem soletra mais vossos mysterios/ Grandes letras da Noute! sem cessar.../ Ó tecidos de luz! rios ethereos,/ Olhos azues que amolleceis o Mar!.../ / O que fazeis dispersas pelo ar?!.../ E ha que ...

A um Corpo Perfeito (19)

Nenhum corpo mais lacteo e sem defeito/ Mais roseo, esculptural e femenino,/ Pode igualar-se ao seu, branco e divino/ Immovel, nù, sobre o comprido leito! -/ / Nada te eguala! O ferro do assassino/ P...

Na Rua (20)

Veijo-a sempre passar séria, constante,/ - Às vezes, inclinada na janella, -/ Tranquilla, fria, e pallido o semblante,/ Como uma santa triste de capella./ / Seu riso sem callor como o brilhante/ No n...
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