Fernando Namora

Portugal
15 Abr 1919 // 31 Jan 1989
Escritor/Poeta/Médico

34 Poemas

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Balada de Sempre (1)

Espero a tua vinda/ a tua vinda,/ em dia de lua cheia./ / Debruço-me sobre a noite/ a ver a lua a crescer, a crescer.../ / Espero o momento da chegada/ com os cansaços e os ardores de todas as chegad...

Um Segredo (2)

Meu pai tinha sandálias de vento/ só agora o sei./ Tinha sandálias de vento/ e isto nem sequer é uma maneira de dizer/ andava por longe os olhos fugidos a expressão em/ ...

A Mais Bela Noite do Mundo (3)

Hoje,/ será o fim!/ / Hoje/ nem este falso silêncio/ dos meus gestos malogrados/ debruçando-se/ sobre os meus ombros nus/ e esmagados!/ / Nem o luar, pano baço de cenário velho,/ escutando/ a minha p...

Ó Noite, Coalhada nas Formas de um Corpo de Mulher (4)

Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher/ vago e belo e voluptuoso,/ num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos/ ...

Poema da Utopia (5)

A noite caiu sem manchas e sem culpa. / / Os homens tiraram as máscaras de bons actores./ / Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde./ / No alto, a utópica lua, vela comigo/ e sonha inutilmente ...

Um Poema Que Se Perdeu (6)

Hoje o dia é um dia chuvoso e triste / amortalhado/ Naquela monotonia doente dos grandes dias./ / Hoje o dia.../ (a pena caiu-me das mãos)/ / Acabou-se o poema no papel./ Cá por dentro/ Continua.../ ...

Por Todos os Caminhos do Mundo (7)

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia/ pelo mundo,/ / por todos os caminhos do mundo,/ desencontrados como os ponteiros de um relógio v...

Poema Cansado de Certos Momentos (8)

Foi-se tudo/ como areia fina escoada pelos dedos./ Mãe! aqui me tens,/ metade de mim,/ sem saber que metade me pertence./ Aqui me tens,/ de gestos saqueados,/ onde resta a saudade de ti/ e do teu mun...

Poema para Iludir a Vida (9)

Tudo na vida está em esquecer o dia que passa./ Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,/ um cedro, areias, raízes,/ ou asa de anjo/ caída num paul./ O navio que passou além da barra/ já não ...

Marketing (10)

Aqui a meu lado o bom cidadão/ escolheu Sagres/ que é tudo tudo cerveja/ a pausa que refresca/ a longa pausa de um longo cigarro King Size./ atenção ao marketi...

Aves (11)

ter-te suspensa/ do meu lume/ na fogosa boca/ o ardume/ a explodir/ tu/ ardida e intacta/ sonho e nuvem/ voz exacta/ um soltar/ de aves/ em pânico/ na relva do olhar/ / Fernando Namora, in 'Nome P...

Coisas, Pequenas Coisas (12)

Fazer das coisas fracas um poema./ / Uma árvore está quieta,/ murcha, desprezada./ Mas se o poeta a levanta pelos cabelos/ e lhe sopra os dedos,/ ela volta a empertigar-se, renovada./ E tu, que não s...

Clandestinidade (13)

Secreto me acho/ e secreto me sentes/ quando/ secreto me julgas,/ Impuro me reconheço/ quando/ o nosso silêncio/ são vozes turbas./ Dúbio é o desejo/ quando/ não é transparente/ a água em que se deit...

Poema de Amor (14)

Se te pedirem, amor, se te pedirem/ que contes a velha história/ da nau que partiu/ e se perdeu,/ não contes, amor, não contes/ que o mar és tu/ e a nau sou eu./ / E se pedirem, amor, e se pedirem/ q...

Intimidade (15)

Que ninguém hoje me diga nada./ Que ninguém venha abrir a minha mágoa,/ esta dor sem nome/ que eu desconheço donde vem/ e o que me diz./ É mágoa./ Talvez seja um começo de amor./ Talvez, de novo, a d...

Cais (16)

Ténue é o cais/ no Inverno frio./ Ténue é o voo/ do pássaro cinzento./ Ténue é o sono/ que adormece o navio./ No vago cais/ do balouço da bruma/ ténue é a estrela/ que um peixe morde./ Ténue é o port...

Terra - 24 (17)

António, é preciso partir!/ o moleiro não fia,/ a terra é estéril,/ a arca vazia,/ o gado minga e se fina!/ António, é preciso partir!/ A enxada sem uso,/ o arado enferruja,/ o menino quere o pão; a ...

Intervalo (18)

Quando nasci, entre rendas e afagos egoístas,/ os rouxinóis, pela noite, namoravam a Primavera... / / Os sinos ficaram tolhidos e tristes/ Como se os meus gritos lhes pesassem na alma./ / Minha Mãe, ...

Alheamento (19)

Meu corpo estiraçado, lânguido, ao logo do leito./ / O cigarro vago azulando os meus dedos./ / O rádio... a música.../ / A tua presença que esvoaça/ em torno do cigarro, do ar, da música.../ / Ausênc...

Terra - 7 (20)

Onde ficava o mundo?/ Só pinhais, matos, charnecas e milho/ para a fome dos olhos./ Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda./ E o mar? E a cidade? E os rios?/ Caminhos de pedra, s...
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