60 Poemas

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Quando um Homem Quiser (1)

Tu que dormes à noite na calçada do relento/ numa cama de chuva com lençóis feitos de vento / tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento / és meu irmão, amigo, és meu irmão/ / E tu que dormes só o...

Chove. É Dia de Natal (2)

Chove. É dia de Natal./ Lá para o Norte é melhor:/ Há a neve que faz mal,/ E o frio que ainda é pior./ / E toda a gente é contente/ Porque é dia de o ficar./ Chove no Natal presente./ Antes isso que ...

Dia de Natal (3)

Hoje é dia de ser bom./ É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,/ de falar e de ouvir com mavioso tom,/ de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças./ É dia de pensar nos outros – coitadinh...

Ladainha dos Póstumos Natais (4)

Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que se veja à mesa o meu lugar vazio/ / Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que hão-de me lembrar de modo menos nítido/ / Há-de vir um Natal e será o pri...

Natal na Província (5)

Natal... Na província neva. / Nos lares aconchegados, / Um sentimento conserva / Os sentimentos passados. / / Coração oposto ao mundo, / Como a família é verdade! / Meu pensamento é profundo, / Estou...

Vi Jesus Cristo Descer à Terra (6)

Num meio-dia de fim de primavera/ Tive um sonho como uma fotografia./ Vi Jesus Cristo descer à terra./ Veio pela encosta de um monte/ Tornado outra vez menino,/ A correr e a rolar-se pela erva/ E a a...

Ode aos Natais Esquecidos (7)

Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta / que dava acesso aos mistérios da noite, / daquela noite em particular, por ser a mais terna / de todas as noites que a minha memória / era capaz de g...

Natal (8)

Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade / Nem veio nem se foi: o Erro mudou. / Temos agora uma outra Eternidade, / E era sempre melhor o que passou. / / Cega, a Ciência a inútil gleba lavra. / Louca,...

Natal, e não Dezembro (9)

Entremos, apressados, friorentos,/ numa gruta, no bojo de um navio,/ num presépio, num prédio, num presídio,/ no prédio que amanhã for demolido... / Entremos, inseguros, mas entremos. / Entremos, e d...

Natal (10)

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia./ Era gente a correr pela música acima./ Uma onda uma festa. Palavras a saltar./ / Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima./ Guitarras guitarras. Ou talvez ma...

Falavam-me de Amor (11)

Quando um ramo de doze badaladas/ se espalhava nos móveis e tu vinhas/ solstício de mel pelas escadas/ de um sentimento com nozes e com pinhas,/ / menino eras de lenha e crepitavas/ porque do fogo o ...

Último Poema (12)

É Natal, nunca estive tão só./ Nem sequer neva como nos versos/ do Pessoa ou nos bosques/ da Nova Inglaterra./ Deixo os olhos correr/ entre o fulgor dos cravos/ e os dióspiros ardendo na sombra./ Que...

Natal Divino (13)

Natal divino ao rés-do-chão humano,/ Sem um anjo a cantar a cada ouvido./ Encolhido/ À lareira,/ Ao que pergunto/ Respondo/ Com as achas que vou pondo/ Na fogueira./ / O mito apenas velado/ Como um c...

Não Digo do Natal (14)

Não digo do Natal – digo da nata/ do tempo que se coalha com o frio/ e nos fica branquíssima e exacta/ nas mãos que não sabem de que cio/ / nasceu esta semente; mas que invade/ esses tempos relíquido...

a fava (15)

espero que me calhe aquela fava / que é costume meter no bolo-rei: / quer dizer que o comi, que o partilhei/ no natal com quem mais o partilhava/ / numa ordem das coisas cuja lei / de afectos e memór...

Natal (16)

Mais uma vez, cá vimos / Festejar o teu novo nascimento, / Nós, que, parece, nos desiludimos/ Do teu advento!/ / Cada vez o teu Reino é menos deste mundo! / Mas vimos, com as mãos cheias dos nossos p...

Hino de Amor (17)

Andava um dia/ Em pequenino/ Nos arredores/ De Nazaré,/ Em companhia/ De São José,/ O bom Jesus,/ O Deus Menino./ / Eis senão quando/ Vê num silvado/ Andar piando/ Arrepiado/ E esvoaçando/ Um rouxino...

História Antiga (18)

Era uma vez, lá na Judeia, um rei./ Feio bicho, de resto:/ Uma cara de burro sem cabresto/ E duas grandes tranças./ A gente olhava, reparava, e via/ Que naquela figura não havia/ Olhos de quem gosta ...

Natal d'um Poeta (19)

Em certo reino, á esquina do planeta,/ Onde nasceram meus Avós, meus Paes,/ Ha quatro lustres, viu a luz um poeta/ Que melhor fôra não a ver jamais./ / Mal despontava para a vida inquieta,/ Logo ao n...

Poema de Natal (20)

Para isso fomos feitos:/ Para lembrar e ser lembrados/ Para chorar e fazer chorar/ Para enterrar os nossos mortos —/ Por isso temos braços longos para os adeuses/ Mãos para colher o que foi dado/ Ded...
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