101 Poemas

>>

A Forma Justa (1)

Sei que seria possível construir o mundo justo/ As cidades poderiam ser claras e lavadas/ Pelo canto dos espaços e das fontes/ O céu o mar e a terra estão prontos/ A saciar a nossa fome do terrestre/...

Ser Poeta (2)

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior/ Do que os homens! Morder como quem beija!/ É ser mendigo e dar como quem seja/ Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!/ / É ter de mil desejos o esplendor/ E não ...
Charneca em Flor

Meu Camarada e Amigo (3)

Revejo tudo e redigo/ meu camarada e amigo./ Meu irmão suando pão/ sem casa mas com razão./ Revejo e redigo/ meu camarada e amigo/ / As canções que trago prenhas/ de ternura pelos outros/ saem das mi...

Vaidade (4)

Sonho que sou a Poetisa eleita,/ Aquela que diz tudo e tudo sabe,/ Que tem a inspiração pura e perfeita,/ Que reúne num verso a imensidade!/ / Sonho que um verso meu tem claridade/ Para encher todo o...
Livro de Mágoas

Dispersão (5)

Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto,/ E hoje, quando me sinto,/ É com saudades de mim./ / Passei pela minha vida/ Um astro doido a sonhar./ Na ânsia de ultrapassar,/ Nem dei pela minha vi...

O Poema Original (6)

Original é o poeta/ que se origina a si mesmo/ que numa sílaba é seta/ noutra pasmo ou cataclismo/ o que se atira ao poema/ como se fosse ao abismo/ e faz um filho às palavras/ na cama do romantismo....

Autopsicografia (7)

O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente./ / E os que lêem o que escreve,/ Na dor lida sentem bem,/ Não as duas que ele teve,/ Mas só a q...

Poema do Silêncio (8)

Sim, foi por mim que gritei./ Declamei,/ Atirei frases em volta./ Cego de angústia e de revolta./ / Foi em meu nome que fiz,/ A carvão, a sangue, a giz,/ Sátiras e epigramas nas paredes/ Que não vi s...

Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia (9)

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,/ Não há nada mais simples/ Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte./ Entre uma e outra cousa todos os dias são meus./ /...

Aos Poetas (10)

Somos nós/ As humanas cigarras./ Nós,/ Desde o tempo de Esopo conhecidos.../ Nós,/ Preguiçosos insectos perseguidos./ / Somos nós os ridículos comparsas/ Da fábula burguesa da formiga./ Nós, a tribo ...

Camões, Grande Camões, quão Semelhante (11)

Camões, grande Camões, quão semelhante / Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!/ Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, / Arrostar co'o sacrílego gigante; / / Como tu, junto ao Ganges sussurrante, / ...

O Albatroz (12)

Às vezes no alto mar, distrai-se a marinhagem/ Na caça do albatroz, ave enorme e voraz,/ Que segue pelo azul a embarcação em viagem,/ Num vôo triunfal, numa carreira audaz./ / Mas quando o albatroz s...

Se Eu Morrer Novo (13)

Se eu morrer novo,/ Sem poder publicar livro nenhum,/ Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,/ Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,/ Que não se ralem./ Se assim aconteceu,...

Cegueira Bendita (14)

Ando perdida nestes sonhos verdes/ De ter nascido e não saber quem sou,/ Ando ceguinha a tatear paredes/ E nem ao menos sei quem me cegou!/ / Não vejo nada, tudo é morto e vago.../ E a minha alma ceg...
A Mensageira das Violetas

O Poeta Pede a Seu Amor que lhe Escreva (15)

Meu entranhado amor, morte que é vida, / tua palavra escrita em vão espero/ e penso, com a flor que se emurchece/ que se vivo sem mim quero perder-te./ / O ar é imortal. A pedra inerte/ nem a sombra ...

Magro, de Olhos azuis, Carão Moreno (16)

Magro, de olhos azuis, carão moreno,/ Bem servido de pés, meão na altura,/ Triste de facha, o mesmo de figura,/ Nariz alto no meio, e não pequeno;/ / Incapaz de assistir num só terreno,/ Mais propens...

Soneto Ditado na Agonia (17)

Já Bocage não sou!... À cova escura / Meu estro vai parar desfeito em vento... / Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento / Leve me torne sempre a terra dura;/ / Conheço agora já quão vã figura, / Em pro...

Sepultura d'um Poeta Maldito (18)

Se, em noite horrorosa, escura,/ Um cristão, por piedade,/ te conceder sepultura/ Nas ruínas d'alguma herdade,/ / As aranhas hão-de armar/ No teu coval suas teias,/ E nele irão procriar/ Víboras e ce...

Este é o Prólogo (19)

Deixaria neste livro/ toda minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ / Que compaixão dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam...

Arrependo-me de a Meter num Romance (20)

O poema tem mais pressa que o romance,/ Asa de fogo para te levar:/ Assim, pois, se houver lama que te lance/ Ao corpo quente algum, hei-de chorar./ / Deus fez o poeta por que não descanse/ No golfo ...
>>

Facebook

.
© Copyright 2003-2017 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE